William Saad Hossne: O guardião da bioética

William Saad Hossne, 86 anos, é conhecido por seu trabalho e militância na bioética, campo transdisciplinar que reúne a biologia, as ciências da saúde, a filosofia e o direito, e estuda a dimensão ética dos modos de tratar a vida humana e animal no contexto da pesquisa científica e suas aplicações. Autor de uma obra de referência sobre o assunto,Experimentação em seres humanos, Saad Hossne fundou a Sociedade Brasileira de Bioética e ajudou a criar a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), coordenada por ele entre 1996 e 2007. A Conep organizou um sistema de monitoramento da ética na pesquisa a que estão ligados mais de 600 comitês de hospitais e universidades em todo o país. Atualmente ele coordena o curso de pós-graduação em b¡ioética no Centro Universitário São Camilo, em São Paulo.
Antes de se dedicar à bioética, o professor, que nasceu em São Paulo em 1927, seguiu uma extensa carreira de médico, pesquisador e gestor em ciência e tecnologia. Cirurgião gastroenterologista formado pela Faculdade de Medicina da USP, foi um dos fundadores, em 1962, da Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas de Botucatu, da qual é professor emérito. A instituição, criada como instituto isolado, incorporou-se à Universidade Estadual Paulista (Unesp), nos anos 1970. Também foi reitor da Universidade Federal de São Carlos, de 1979 a 1983. Participou da criação da FAPESP, tornando-se o segundo diretor científico da Fundação, entre 1964 e 1967, e voltou a desempenhar a função entre 1975 e 1979. Na entrevista a seguir, ele relembra alguns dos principais momentos de sua trajetória e os primeiros anos da FAPESP.
O senhor se formou em 1951 na Faculdade de Medicina da USP. Como foi sua formação e o primeiro contato com a pesquisa?
Vim de uma família de classe média. Em 1926, meus pais se casaram, ele com 30, ela com 20 e poucos. Minha mãe engravidou e meu pai morreu no mesmo ano, em setembro. Não conheci meu pai. É um baque para a criança quando fica sabendo desses fatos. Fui criado pelos meus tios e avós, com quem eu morava. Um dos meus tios era como se fosse meu pai. Ele, com 40 e poucos anos, teve um câncer. Acabou morrendo um ano depois, quando prestei vestibular para medicina. Acompanhei a doença, fazendo leituras, e nessa época observei que os médicos deveriam fazer mais pesquisa. Em 1946, entrei na Faculdade de Medicina com aquela ideia romântica que os jovens têm, mas infelizmente vêm perdendo, de juntar a prática médica com a pesquisa. Não só tratar a doença, mas gerar avanço de conhecimento. Trabalhei no laboratório desde o primeiro ano de faculdade. Quando me formei, em 1951, o mundo vivia um momento importante. Era o pós-guerra, quando se criou no Brasil, por exemplo, o Conselho Nacional de Pesquisa. Tinha um clima interessante para quem gostava de pesquisa e isso me entusiasmou. Fiz concurso para residente em cirurgia e fui fazer especialização na Santa Casa.

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FONTE: http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/08/13/william-saad-hossne-o-guardiao-da-bioetica/

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